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Levantamento Parcial da Avifauna da RPPN Murundu

 Introdução
A RPPN Murundu abriga em sua área um mosaico de ambientes de Cerrado com diferentes composições fitofisionômicas, notoriamente os Campos Sujos, os Campos de Murundu, o Cerrados típicos e os Cerrados Rupestres, além de alguns trechos de Campo Limpo e uma faixa de Mata de Galeria.

Esse levantamento buscou avaliar a diversidade de aves que habita ou utiliza a RPPN, assim como entender como cada fitofisionomia contribui no suporte desta avifauna.

 

Métodos
Para o levantamento, foram feitas saídas de campo pelas manhãs, horário de maior atividade das aves, com binóculos de magnitude 8x42, caderno de campo para anotações e o guia de campo Aves do Brasil: Pantanal & Cerrado (Gwynne et al., 2010). Foram feitas 10 saídas de campo, se estendendo das 6:30 às 11:30, aproximadamente, totalizando 40 horas de esforço amostral. As saídas de campo foram feitas no período da seca, entre os dias 10/06/2020 e 25/06/2020.

 

O método de amostragem foi a observação em busca ativa através de caminhadas e pontos fixos, visando cobrir todos os diferentes ambientes para a visualização do maior número de espécies possível. Portanto as caminhadas não foram padronizadas em transectos (linha ou secção através de uma faixa de terreno, ao longo da qual são registadas e contabilizadas as ocorrências do fenómeno que está a ser estudado) fixos, nem tampouco se limitaram às trilhas já definidas ao longo da área, e incluíram explorações ao longo dos campos abertos, como nos Campos de Murundus, e incursões no interior de vegetações mais fechadas e terrenos acidentados, como nos Cerrados Rupestres, com eventuais pausas para permitir a melhor observação da área e da movimentação das aves.

As amostragens seguiram esse método misto devido à natureza heterogênea da área amostrada.

 

A área da RPPN foi categorizada nas seguintes fitofisionomias: Campo Limpo, Campo Sujo, Campo de Murundus, Cerrado Típico, Cerrado Rupestre e Mata de Galeria.

 

Resultados
Durante o levantamento, foram registradas 100 espécies utilizando a área da RPPN e suas imediações. Dentre elas, destacam-se 9 espécies consideradas endêmicas ou quase-endêmicas: Alipiopsitta xanthops (Papagaio Galego), Antilophia galeata (Soldadinho), Charitospiza eucosma (Mineirinho), Cyanocorax cristatellus (Gralha do Campo), Cypsnagra hirundinacea (Bandoleta), Heliactin bilophus (Chifre de Ouro), Neothraupis fasciata (Cigarra do Campo), Saltatricola atricollis (Batuqueiro) e Suiriri affinis (Suiriri da Chapada)

(Cavalcanti 1999, Bagno & Marinho-Filho 2001, Silva & Santos 2005, Lopes 2007, Motta-Junior 2008, Marini et al. 2009, Pacheco 2010).
 

 

A tabela abaixo detalha as espécies registradas e os ambientes em que foram observadas:

 

Discussão
A ocorrência de espécies com diferentes graus de endemismo ao Cerrado evidencia a grande contribuição da RPPN Murundu na preservação da avifauna nativa. Foram observados grupos familiares com indivíduos jovens de duas dessas espécies (Cigarro do Campo e Batuqueiro), indicando que elas estariam reproduzindo na área, o que demonstra ainda mais a relevância ecológica dos seus ambientes. Considerando o nível de degradação que o bioma se encontra atualmente, onde cerca de 50% de sua área original já foi devastada, e aproximadamente apenas 3% da área que resta preservada está legalmente protegida (Françoso et al., 2015), todas as espécies endêmicas ou quase-endêmicas enfrentam riscos potenciais à conservação futura de suas populações.
As vegetações na área da RPPN, com exceção de manchas de Cerrado Rupestre e da faixa de Mata de Galeria, constituem na sua maioria ambientes abertos ou semiabertos, esparsamente arborizados e dominados por vegetação rasteira, o que se reflete na sua avifauna. Das 100 espécies registradas, 57 são independentes de florestas, 34 são semi- dependentes e
9 são dependentes, de acordo com a classificação de Silva (1995).
A fitofisionomia que abrigou mais espécies foi o Campo Sujo, o que pode se dever à grande proporção de áreas que se enquadram nessa categoria, com ambientes mais ou menos densamente arborizados sobre uma predominância de gramíneas. Depois do Campo Sujo, os Campos de Murundus e a Mata de Galeria, igualmente, abrigaram mais espécies que as outras áreas, o que evidencia a grande importância ecológica dos Campos de Murundus, capazes de abrigar uma diversidade equivalente à Mata de Galeria, ambiente tipicamente rico e abundante em aves.
A composição fitofisionômica dos Campos de Murundus, com áreas baixas dominadas por gramíneas pontuadas por pequenos morros arborizados, permite que espécies de aves com diferentes necessidades ecológicas se estabeleçam lá, desde aquelas típicas de campos limpos, como a Codorna Amarela e a Perdiz, como espécies do estrato arbustivo e arbóreo de Cerrados típicos, como o Uipí e a Gralha do Campo.
A alta diversidade da flora da área contribui com a riqueza da avifauna. Foram
observadas 7 espécies de Beija Flores, dentre elas o raro e semi-endêmico Chifre de Ouro. Isso evidencia um ambiente cujas interações ecológicas entre plantas e polinizadores se mantêm saudáveis. Também foi observado uma diversidade de rapinantes, aves predadoras de outros vertebrados, como o Gavião Peneira, o Gavião de Rabo Branco e a Suindara, o que sugere uma riqueza e abundância na fauna suficientes para suportar a presença desses animais.

Os ambientes da RPPN Murundu, portanto, são de grande importância ecológica e se mostraram relevantes na preservação da avifauna típica do Cerrado. A área possui potencial para realização atividades de conscientização ecológica e ecoturismo, como trilhas guiadas e Birdwatching. Apesar do número de espécies observadas, é evidente que muitas mais habitam e utilizam a área.

Um segundo trabalho de campo, durante a época das chuvas, seria ideal para poder se dimensionar melhor a real riqueza da RPPN.

 

 

 

Referências:
Bagno, M. A., & Marinho-Filho, J. (2001). A avifauna do Distrito Federal: uso de ambientes
abertos e florestais e ameaças. Cerrado: caracterização e recuperação de matas de galeria.
Brasília: Embrapa, 495-528.
Cavalcanti, R. B. (1999). Bird species richness and conservation in the cerrado region of central
Brazil. Studies in Avian Biology, 19, 244-249.
Françoso, R. D., et al. (2015) Habitat loss and the effectiveness of protected áreas in the
Cerrado Biodiversity Hotspot. Natureza & Conservação, 13(1): 35-40.
Gwynne, J. A., et al. (2010). Aves do Brasil: Pantanal & Cerrado. São Paulo: Editora Horizonte.
Lopes, L. E. (2007). The range of the curl-crested jay: lessons for evaluating bird endemism in
the South American Cerrado. Diversity and Distributions, 14(4): 561–568.
Marini, M. Â., Barbet-Massin, M., Lopes, L. E., & Jiguet, F. (2009). Major current and future
gaps of Brazilian reserves to protect Neotropical savanna birds. Biological Conservation,
142(12), 3039-3050.

Motta-Junior, J. C., Granzinolli, M. A. M., & Develey, P. F. (2008). Aves da estação ecológica de
Itirapina, estado de São Paulo, Brasil. Biota Neotropica, 8(3).
Pacheco, J. F., & Olmos, F. (2010). As Aves do Tocantins, Brasil–2: Jalapão. Revista Brasileira de
Ornitologia, 18(1), 1-18.
Silva, J. M. C. (1995). Birds of the cerrado region, South America. Steenstrupia, 21(1), 69-92.
Silva, J. M. C., & Santos, M. P. D. (2005). A importância relativa dos processos biogeográficos
na formação da avifauna do Cerrado e de outros biomas brasileiros. p.219-233. In Scariot A., J.
C. Sousa-Silva & J. M. Felfili, (orgs). Cerrado: ecologia, biodiversidade e conservação. MMA,
Brasília.

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