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Por que biorregional?

11/11/2018

 

O termo “biorregional” significa regere (território) com bio (vida). Trata-se, portanto, de uma área geográfica e as comunidades (plantas, animais e humanos) que ali habitam. Esse termo tem sido usado para se referir a uma relação mais estreita dos seres humanos com o território onde vivem, incluindo-se aí a cultura do lugar, seus grupos sociais e suas relações econômicas e ecológicas.

O IBC é o Instituto Biorregional do Cerrado porque, desde seu surgimento, veio com a proposta de ser muito mais do que uma comunidade isolada, focada em seus próprios problemas. O IBC é biorregional porque busca agir a partir de uma visão sistêmica das questões sociais, econômicas e ambientais da região em que está inserido. Isso implica na busca por formas de colaboração com atores diversos, para além da cerca da nossa comunidade.

 

 

 

 

Um exemplo da importância desse olhar biorregional é o caso do Parque Indígena do Xingu, analisado por Eduardo Brondizio, Elinor Ostrom e Oran Young em um artigo publicado na Annual Review of Environment and Resources (2009). Os pesquisadores contam como, no Parque do Xingu, os índios conseguiram se auto-organizar de forma eficaz para preservar os recursos naturais dentro de suas fronteiras.

 

 

No entanto, a devastação das terras em torno do parque (provocada, principalmente, pela expansão da produção de soja) tem levado à poluição das nascentes e rios que correm para dentro do parque. Esse é um exemplo de como práticas e soluções desenvolvidas pelas comunidades locais podem não ser suficientes para lidar com a crise socioambiental, se não houver relações de colaboração com outros atores atuantes na biorregião.

 

 Aqui no IBC convivemos com outro exemplo dessa conectividade socioambiental. Na nossa comunidade, todo o resíduo orgânico é compostado e o resíduo seco é levado para a reciclagem. Buscamos reduzir ao máximo a quantidade de rejeitos (aqueles resíduos que não podem nem ser compostados nem ser reciclados) porque todos os rejeitos do município são direcionados para o lixão da cidade. O lixão fica a poucos quilômetros de distância do IBC, bem próximo a diversas nascentes e na zona de amortecimento do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (não poderiam ter escolhido lugar pior para instalarem um lixão!) No entanto, por mais que busquemos nos responsabilizar pelo lixo gerado dentro do IBC, o lixo gerado pelo município de Alto Paraíso vai parar na nossa vizinhança. Quando a prefeitura deixa de fazer o manejo adequado do lixão, temos que aguentar a proliferação de moscas aqui na nossa terra.

Fica claro que a nossa atuação em prol da sustentabilidade deve se expandir para toda a biorregião em que estamos inseridos. Os ecossistemas não encontram limites de propriedade, nem de fronteiras políticas. Aqui no IBC, demos um primeiro passo para solucionar o problema do lixão, ao estabelecermos uma parceria com a prefeitura para recebermos em nosso território as podas do município que, antes, iam para o lixão. Agora, elas vêm para o nosso instituto, trazendo matéria orgânica que vai enriquecer a nossa terra e diminuindo o volume de resíduos destinados ao lixão.

 

 

 

 

Outra ação biorregional do IBC é a nossa política de bolsas. Em todos os nossos cursos e eventos, além de oferecer valores mais baixos para moradores da Chapada dos Veadeiros, sempre procuramos oferecer bolsas integrais para moradores, incluindo a comunidade kalunga. Dessa forma, os participantes que vêm das grandes cidades e que possuem mais recursos financeiros acabam subsidiando a participação local em cursos e vivências que buscam difundir a cultura da sustentabilidade. Isso contribui para a disseminação de práticas sustentáveis na nossa biorregião.  

 

 

 

Além disso, participamos de diversos conselhos municipais e regionais. Temos cadeira no Conselho Municipal de Meio Ambiente, Conselho da Área e Preservação Ambiental do Pouso Alto, Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural, Conselho do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e no Conselho de Programas e Projetos do Centro de Estudos do Cerrado da Universidade de Brasília.  Participamos, também, da Rede contra Fogo e muitos de nosso membros são brigadistas voluntários. Com essa participação, buscamos colaborar com outros atores e apoiar o nosso município e a nossa biorregião na busca por soluções sustentáveis.

Durante muito tempo, as comunidades intencionais, associadas com o movimento hippie das décadas de 1960 e 70, estiveram isoladas da sociedade mais ampla. No entanto, cada vez mais as ecovilas estão se preocupando em sair do isolamento e aumentar a sua atuação na sociedade. No Brasil, isso também está acontecendo. Em um artigo publicado na revista Fronteiras: Journal of Social, Technological and Environmental Science (2017), divulguei os resultados da minha pesquisa de doutorado sobre o nicho das ecovilas no Brasil. Nessa pesquisa, mostro que as ecovilas brasileiras colaboram e trocam informações com diversas categorias de atores externos, principalmente, atores da sua região.

 

 

 

As relações de trocas de informações entre ecovilas e atores locais representam 28,5% das relações externas das ecovilas. Tratam-se, principalmente, de: cooperativas ou associações de produção orgânica ou agroecológica, espaços e lojas de produtos naturais e alternativos, associações e escolas locais. Já as relações de trocas de informações das ecovilas brasileiras com órgãos governamentais e conselhos comunitários representam 25% das relações externas estabelecidas pelas ecovilas.

De todas as relações entre ecovilas e órgãos governamentais e conselhos, 45% situam-se em nível local (prefeituras, câmaras de vereadores, secretarias e conselhos municipais etc.); 39% em nível regional (conselhos gestores de unidades de conservação, conselhos estaduais, comitê de bacia e prefeituras de municípios vizinhos) e 16% em nível nacional (fundações federais, institutos federais e ministérios). Muitas dessas trocas de informações se dão por meio da participação das ecovilas em conselhos. De todas as ecovilas pesquisadas, 25% participam de conselhos municipais de meio ambiente e 22% participam de conselhos gestores de unidades de conservação.

Podemos perceber, portanto, que o biorregionalismo e a atuação em rede é uma tendência das ecovilas no Brasil e no mundo.

 

O IBC tem buscado fazer a sua parte e atuar como articulador e disseminador do biorregionalismo na Chapada dos Veadeiros, honrando, assim, o B de IBC.

 

 Referências bibliográficas:

-          Brondizio, Eduardo S., Elinor Ostrom, and Oran R. Young. 2009. “Connectivity and the Governance of Multilevel Social-Ecological Systems: The Role of Social Capital.” Annual Review of Environment and Resources 34(1):253–78.

 

-          Roysen, Rebeca, and Frédéric Mertens. 2017. “O Nicho das Ecovilas no Brasil: comunidades isoladas ou em diálogo com a sociedade?” Fronteiras: Journal of Social, Technological and Environmental Science 6(3): 99-121.

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