@2023 INSTITUTO BIORREGIONAL DO CERRADO | desenvolvido por Alisson Sindeaux

  • White Instagram Icon
  • White YouTube Icon
  • White Facebook Icon
EVENTOS
VIVENCIA
COMUNITÁRIA
NOTÍCIAS
SUSTENTABILIDADE
CERRADO
ECOVILAS
ASSENTAMENTOS 

February 25, 2019

November 11, 2018

September 27, 2018

September 11, 2018

August 25, 2018

Please reload

Posts Recentes

UnB na Ecoaldeia Aratikum

October 22, 2018

1/6
Please reload

Posts Em Destaque

Retiro Escola Espiral

25/08/2018

 

Em julho de 2018, quinze moradores da Ecoaldeia Aratikum participaram, durante seis dias, de um retiro com Jate Kulchavita Bouñe, da etnia Muisca, da Colômbia. Jate Kulchavita desenvolveu uma metodologia chamada Escola Espiral, baseada nas vivências que teve com as etnias Kogui, das Serras Nevadas na Colômbia, e Huitoto, da Amazônia Colombiana. Nesse primeiro módulo, o foco do retiro foi a identificação do ego.

Esse retiro foi intenso e muito transformador para todos os participantes. Pudemos compreender os padrões de comportamento do nosso ego originados em nossa infância e aprendemos a identificar quando estamos agindo a partir desses padrões. Tudo o que vem do ego nos traz sentimentos de medo e separação. Tudo o que vem do espírito nos traz sentimentos de amor e unidade com o todo. Quando aprendemos a identificar essas duas forças que trabalham dentro de nós, quando conseguimos ordenar nossos pensamentos, sentimentos, práticas e emoções, esse ordenamento se reflete em nossas relações e em nossa comunidade.

 

 

 

Uma comunidade em que as pessoas não estão fazendo um trabalho interior e estão agindo a partir do ego provavelmente será uma comunidade desunida, em que uns apontam os dedos para os outros, em que não há comunicação (e comunicação, para Jate, significa escuta), em que as pessoas não estão se sentindo auto-realizadas. Essa era um pouco da situação do nosso coletivo antes do retiro. Estávamos tendo muita dificuldade de comunicação. Tentávamos criar espaços de partilha emocional, mas poucos participavam desses espaços. Havia um sentimento de desunião e de não sermos escutados. A presença do Jate nos ajudou a criar espaços de escuta e de auto-responsabilidade.

Pessoalmente, um dos ensinamentos do Jate que mais ficaram gravados na minha memória é a analogia do ambil. O ambil é o mel do tabaco que se usa durante o ritual do mambeadeiro. Para se produzir o ambil, primeiro deve-se limpar o tabaco para tirar o amargor. Depois, deve-se cozinhar o tabaco para tirar a dureza. Só então é possível extrair a essência do tabaco que é o ambil. Jate nos ensinou que o tabaco é o ambil. O tabaco não é o amargor e a dureza. Ele é a essência. Da mesma forma, quando olhamos para as pessoas, devemos ver a sua essência. As pessoas não são a dureza, não são o amargor. As pessoas são o ambil. Todos temos uma essência divina que está muitas vezes escondida por debaixo do amargor e da dureza criados pelo nosso ego. Mas nossas relações devem se dar a partir das nossas essências.

 

 

A metodologia do mambeadeiro também é uma prática que se mostrou muito fértil em nossa comunidade. Mambear é se reunir em volta da fogueira, revisando os acontecimentos do dia e escutando uns aos outros. Os Huitotos usam o mambe (pó da coca) e o ambil (mel de tabaco). O ambil é frio, para que falemos com a cabeça fria. O mambe é doce, para que tragamos a palavra doce. Quando uma pessoa começa a falar no mambeadeiro, ela não é interrompida. Não existe tempo. Todos escutam com atenção. Uma tecnologia simples, mas incrível. Quando a comunidade se une para revisar juntos os acontecimentos, ouvindo a palavra de cada um, gera-se um alinhamento e um sentimento de unidade muito poderoso.

Estamos agora em um processo de experimentação de como trazer a essência do mambeadeiro para as tomadas de decisão. As reuniões para tomadas de decisão em nossa comunidade geralmente costumam ser apressadas (pouco tempo para muitas pautas). Existia uma pressa na tomada de decisão que não deixava tempo pra gente se escutar com profundidade. A necessidade de tomar decisões colocava todos os participantes da reunião em um nível muito mental de argumentação, de fácil controle pelo ego e, na maior parte das vezes, geravam decisões que não eram cumpridas pelas pessoas. Ao tentar trazer a forma de comunicação do mambeadeiro para as tomadas de decisões, estamos levando muito mais tempo para discutir cada ponto de pauta. Mas trata-se de um tempo necessário para que cada assunto seja tratado a fundo, para que todas as vozes sejam escutadas.

Outra mudança que percebi na comunidade é que o grupo está olhando mais para a essência uns dos outros do que para o amargor e a dureza. Estamos nos (re)conhecendo enquanto seres divinos, cada qual com a sua contribuição única e imprescindível para o coletivo. Não que tenhamos nos tornado iluminados, mas agora temos ferramentas muito práticas para identificar quando estamos agindo pelo ego e para mudar esses padrões mais rapidamente.

Acredito que muitas outras ecovilas enfrentem desafios similares aos nossos: pessoas que foram criadas em uma sociedade individualista e que estão batendo a cabeça para conseguir viver em comunidade. Mas nós aqui na América Latina somos privilegiados. Temos toda uma sabedoria ancestral que continua viva e que tem muito a nos ensinar. Os povos indígenas aprenderam a viver em comunidade, a ouvir o território e a estabelecer uma fina sintonia com as energias da natureza. Podemos contar com essa sabedoria para ordenar nossas vidas e criar comunidades beija-flor, isto é, comunidades de pessoas que sabem tecer a energia dos céus com a energia da terra.

Somos imensamente gratos a Jate Kulchavita Bouñe por ter compartilhado conosco essa metodologia prática, simples e profunda. Só podemos mudar o mundo quando mudamos a nós mesmos. Seguimos despertos em espiral.

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Siga

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload

Procurar por tags
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square